Esta velha carcaça conservadora sacudiu-se inteira com este post em que, em linhas gerais, Vossa Excelência defende o direito de se pedalar pelado pelas ruas de São Paulo (conquanto faça breve, e memorável, crítica à exibição de roupas de baixo masculinas, de todo repugnantes, a quem quer que seja).
Fiquei tentado, advogado que sou, a esclarecer-lhe a vigência do artigo 234, do Código Penal, que, graças!, prevê leve pena a quem exiba suas partes pudendas a pessoa que não manifestar a intenção explícita de vê-las explícitas.
Ah, mas dirá a nobre edil (edila?) “obscena é a fome”; “obscena é a corrupção do poder”; “obsceno é o capitalismo selvagem (ô-ô-ô, homem-primata)”; “obscena é a violência”; “obscena é a desigualdade social”; “obsceno é o Bush”.
E poderia eu discordar, registrando que a fome é constrangedora e melancólica, mas não obscena. Que a corrupção do poder é vergonhosa e lamentável, mas não obscena. Que o capitalismo bon sauvage é prejudicial à saúde, mas não obsceno. Que a violência é um mal da natureza humana, a ser combatido dia-a-dia, mas não é obscena. Que a desigualdade social é fruto de nossa própria incompetência, mas não é obscena. E que o Bush não é obsceno – a menos que decida pedalar pelado pelo Iraque.
Poderia dizer isso tudo e mais, mas não vou – o que vou dizer é que mesmo que essas coisas todas aí sejam obscenas, isso não faz menos obscena a cena de um cidadão – e, porque não dizê-lo, uma cidadã – pelado, encarapitado sobre duas rodas.
Talvez seja apenas meu gosto, mas ver bigulim balangando sobre freios cantilever, ou nádegas, cabeludas ou não, abraçando selins de couro (aliás, convenhamos: há esportes mais seguros, do ponto de vista urológico, que passear pelado de bicicreta, né?), não é cena que me cause algum prazer estético (ou de qualquer outra espécie, adianto) – ao contrário, além da angústia de imaginar que algum buraco termine de empalar o ciclista, há um certo constrangimento em ver pessoas peladas na rua.
Se não houvesse constrangimento, a manifestação não teria nenhum sentido, não é? Embora a filosofia ocidental já tenha questionado, pioneiramente e com integral razão, “que espécie de argumento é uma bunda?” , é evidente que as nádegas expostas no meio da rua têm como alvo primário uma convenção social (como alvo secundário, Freud explica).
E é lá bonito a quem se candidata à alcaideria que fique pregando o fim das convenções sociais, prosaicas que sejam?
Ora, se há o desejo popular de que as pessoas sejam livres para andarem e pedalarem peladas pelas ruas, poderia a nobilíssima – e, aliás, bem trajada – edil (edila?) propor projeto de lei, transformando a urbe paulistana em área de nudismo. Decerto incrementaria o turismo – talvez não o tipo certo de turismo, mas enfim.
Desculpe a grosseira comparação, mas é mais o menos o mesmo que decidir eu aqui, com os meus botões (o nudismo ainda não é compulsório, neste post, de maneira que digito vestindo pudicas calças e curiosa camisa), que quero que o sinal vermelho signifique “ande”, e o verde, “pare” (o amarelo continua sendo “atenção”, porque de fato amarelo é uma cor que lembra “atenção”, ao menos em relação ao fígado). Feito esse meu livre libelo contra a repressora convenção, passo a atravessar todos os faróis (semáforos ou sinaleiras, para os alienígenas) vermelhos, e verberando todos os meus democráticos direitos, se levar uma multa ou, pior, se for atropelado por alguém que insiste, conservadoramente, em que o verde é para andar e o vermelho, para parar (decerto algum repressor membro – epa, opa – da TFP).
Algumas imagens para - touché - arrematar o argumento:
Mas talvez - talvez, eu disse -...
...eu hipocritamente mude de idéia...
...se a World Naked Bike Ride coincidir com o São Paulo Fashion Week.
Tudo isso, enfim, para dizer que, embora não pretenda sufragar Vossa Excelência (na verdade, não pretendo sufragar Excelência nenhuma, por enquanto), e conquanto eu possa ser visto pedalando (adequadamente trajado) pela cidade nos mais matinais momentos dos domingos, gostaria que não transformasse, em objeto da campanha, o pedalar livre de roupas, menos ainda o cruzar incólume dos faróis vermelhos e as demais prosaicas convenções sociais, que tornam mais aprazível, e menos cheia de contratempos, esta nossa breve estada no planetinha (outrora, Al Gore?) azul.
É uma coisa muito civilizada, atualmente, não ter filhos.
Eu mesmo tinha feito essa opção na adolescência, porque não queria propagar a miséria humana e por todas essas bobagens que os hormônios nos vendem como verdades definitivas. Depois, gastando os hormônios por aí, isso perdeu importância, e por um tempo eu passei a me preocupar só com não ter filhos sem querer.
Mas casei e ficamos sete anos solteiros. Veio então a primeira filha, de propósito e de caso pensado, mas sem muito raciocínio, porque ninguém que raciocine direito tem filho.
De fato, optar por não ter filhos não é uma posição que se critique racionalmente (a não ser pela sublimação comm cachorrinhos, o que faz essas pessoas desfilhadas, com o tempo, a falar bijujuquinho com os cacholinhos bonitinhozinhos nheco-nheco e a lançar olhares raivosos para os filhos dos outros, nos elevadores e nos restaurantes).
Sim, mas fora isso, não é uma posição que se critique racionalmente. E não sou eu quem vai dizer que o “crescei etc.” significa exatamente o que quer dizer, menos ainda vou profligar (profligar às vezes é preciso, mas não agora) que os meios contraceptivos etc..
Não.
O que as pessoas que decidiram nunca ter filhos nunca entenderão – e há aí uma limitação humana – é o que se sente por filhos.
Mas o que se sente por filhos? É mais ou menos como tentar explicar qual é o gosto de feijão, para quem nunca comeu feijão (com a diferença essencial que filhos, salvo à mãe na gravidez, não dão gases).
E não me entendam errado – não estou profligando (hoje tirei o dia para não profligar) que é mais vantagem ter filho, que não ter filho. Nah. Não sei: eu tenho filhos e, como todo mundo que tem filhos, não sei mais como é não ter filhos (sei que é um lugar onde os filmes têm enredo melhorzinho, mas já não estou tão certo).
Não quer ter filhos? Fine with me, mesmo que desconte tudo num pobre lhasa-apso.
Mas não pose de auge da civilização ocidental, nem tente me convencer de que não ter filhos é melhor – quem faz isso posa de Cristopher H., tentando convencer todo mundo que Deus não existe. É meio ridículo, sério.
Aliás, não é mesmo curioso que haja muito mais órfãos de filhos entre os ateus, que entre os crentes e os agnósticos (que são os crentes wannabe)? Talvez o ateísmo provoque uma baixa sperm count, vai saber.
Mas enfim, tudo isso só para dizer que pai-patrão que sou, forcei meus dois filhos a entrarem numa corrida infantil, e o menor chorou e chorou que não queria, mas eu firmão ali o convenci, e ele foi e correu e gostou e ficou todo orgulhoso dele mesmo, porque conseguiu fazer o que tinha medo de fazer. E a maior foi e tropicou na largada e tomou um capote e ralou o joelho e levantou e correu e correu e correu e terminou em quarto. E beat that you dog-lover gutless atheist.
“A dor é subjetiva é um truísmo", diria o conselheiro Acácio.
Já Nietzsche – ou seria Ryan Gracie? – dizia num outdoor que a dor é a fraqueza saindo do corpo.
Efeitos da anestesia geral; coisas que escrevi com o meu próprio sangue no travesseiro da sala de recuperação, enquanto pedia um Johnny Red com um Red Bull. Sem, naturalmente, provocar sequer um sorriso de condescendência, naqueles que me viram por dentro.
"Socialism in not just a question of labor organization; it is above all an atheistic phenomenon, the modern manifestation of atheism, one more tower of Babel, built without God, not in order to reach out toward heaven from earth, but to bring heaven down to earth."
Eu nem tenho coragem de dizer que acabou (no fundo não acabou, né).
Não chego a sentir nostalgia, porque afinal só os conheci há três anos, quando a fase mais eufórica deles já havia passado.
Mas li coisas inesquecíveis e vi brigas boas, muito boas e muito divertidas. Fiz comentários com um ar de fã que eu nem sabia que ainda carregava nos meus já velhuscos pulmõezinhos. Comprei (e li) o livro mostarda, as Festas do FDR e a Coisa não-Deus. Fui no lançamento d' "A Visita". Fui até em palestra na Livraria da Vila, ver o Alexandre falar mal de blogueiras cinqüentonas e bocas-sujas, do lado de uma blogueira cinqüentona e boca-suja, que não entendeu lhufas.
Daí, pretensioso como só, abri este botequim que acabou vindo parar – até hoje não sei como – no meio dos Apostos, que já abrigavam um deles, recebeu mais dois há pouco, e agora outros dois: o César (cuja inteligência alegre me lembra um pouco o Leon Eliachar) e o Alexandre (responsável pela existência, neste mundo, do P. G. Wodehouse e do Rex Stout, inter alia).
Os Apostos, eu já disse aí embaixo, só fazemos conspirações por e-mail, de mod’s que, salvo o gentilíssimo Matamoros, não conheço, pessoalmente, nenhum dos outros. Não vai aqui nenhuma sacanáj, mas é mais ou menos como se fosse um daqueles namoros platônicos, em que a gente adia as, err, fases finais, com medo de estragar tudo. Para falar a verdade, a gente vive marcando encontros, só para não ir a eles.
Talvez esteja aí o segredo de nossa futura (e inevitável, inevitável!) longevidade (eternidade!) – se não nos conhecemos, achamos que somos todos muito mais inteligentes e bacaninhas do que realmente somos (ou, pelo menos, do que eu sou, né). Ou talvez esteja no fato de que já somos (quase) todos madurinhos e temos empregos e responsabilidades, por isso não vamos largar o blog para pegar num trampo, nem vamos fazer o Alexandre rebolar mais.
Enfim, agradeço a Santispidito a graça alcançada, estendo meus trapinhos vermelhos sob os nobres pés dos novos membros (epa, opa) que adentram este portal e juro que no próximo encontro, eu também não vou.
A primeira coisa que faço ao acordar é pegar o jornal que o porteiro deposita no meu capacho. Minha sonolenta consciência me leva da cama à porta da área de serviço, sempre com as boxers e apenas com elas. Seja o que Deus quiser – as aeromoças que moram na porta em frente podem se divertir com o meu despenteado matinal, ou podem – há gosto para tudo – fantasiar com o meu torso nu, que não é mais o mesmo, mas ainda dá algum orgulho.
Não naquela manhã, porém: saí da cama com esforço muito acima da média nacional (é muito, pode apostar) e, ao invés de ir exibir-me ao olho mágico das vizinhas, fui direto ao terraço, acender um cigarro.
Depois, enfiei uma bermuda e uma camiseta e fui pegar o jornal, ciente de que procuraria a notícia definitiva. Abri o caderno “Cidades” ainda com a porta aberta, de pé, descalço sobre o capacho. Estava lá, era uma notinha apenas. E não era exatamente definitiva.
Meu impulso inicial foi desistir da história toda. Afinal, vi a moça uma vez só, não levei prejuízo, e não havia nenhuma possibilidade de cobrar de alguém alguma ação judicial qualquer. Mas o dia me reservava uma reunião com o síndico do prédio do meu escritório – a segunda coisa mais aborrecida do planeta, só perdendo para reuniões com todos os condôminos. Ou isso, ou eu começava a acreditar em amor à primeira vista.
Mas uma das aeromoças abria a porta, puxando a sua maleta com rodinhas. O sorriso veio mais aberto que aqueles reservados aos passageiros da classe turística – sinal que meu torso ainda causava alguma simpatia. Mas dei bom-dia e entrei, sem esperar que o elevador chegasse. O sisal do capacho já fazia furinhos na minha sola nua.
Avisei a Diva que só apareceria depois do almoço e pedi para ela cancelar a reunião com o síndico. As respostas monossilábicas e tônicas, junto com a batida forte do gancho, não disfarçaram o seu estado de espírito, e eu pensei que talvez nem depois do almoço daria as caras.
Liguei também para o James, que me deu a ficha:
- É do Andrade, um mau-caráter, titular da 34.
- Mau-caráter por quê?
- Você está no celular?
- Não, no fixo, de casa.
- Você continua ingênuo, né? Me paga um jantar no Gero que eu te conto.
- Morro curioso. Mas me diz se posso falar no teu nome.
- O mau-caráter não sou eu.
Se era mesmo mau-caráter, não pareceu, ao menos à primeira vista. Mau caráter, ou pelo menos mal-educado, foi o investigador que, depois de pegar o cartão de visitas que lhe entreguei na entrada do corredor, me levou até a sala do Roberval e, sem tirar o palito da boca, me apresentou com o dedão:
- Doutor Jorge, o menino aí vem lá do James.
- Tá, brigado, Valentim. Pode sair.
- O cara usa palito na boca antes do almoço?
- É prevenido. Como posso lhe ajudar, doutor... – checou o cartãozinho – doutor Oliveira?
Não era o meu cartão de visitas, claro. E o cartão do Oliveira só dizia “Juiz de Direito”, não dizia a vara, nem o endereço.
- Essa moça, que acharam hoje nos canteiros da Marginal. Já identificaram?
- Ainda, não. Mas que linda, Oliveira, que linda. Posso te chamar de Oliveira? Então, nunca vi mulher morta mais linda na minha vida. E olhe que estou nisto há uns dez anos. O pessoal do IML deve estar fazendo a festa. Era parente sua?
- Nã...não, não. É que a filha de um conhecido do meu pai sumiu ontem à noite, e ele achou...
- Ora, mande ele vir aqui, então. Melhor: porque já não leva o cara direto ao IML, para reconhecimento?
- Ninguém ainda reclamou o corpo?
- Nah. Aqui, só apareceu um playbozinho, ontem de madrugada, dizendo que achava que era a mulher dele. Mandei o cara para lá, mas acho que não deu em nada, porque ninguém me ligou. Pera aí.
Ligou para o IML, conferindo o número embaixo do tampo de vidro da escrivaninha. Ninguém tinha ido lá, ver o corpo. Ele avisou que estava mandando alguém, para atenderem rápido, que era da chefia. Disse-me para procurar o Guaracy. Agradeci e saí sem saber por que o James julgava tão mau o caráter o Andrade.
O Guaracy era um desses caras que de olhar você sabe que parecem muito mais novos do que de fato são. O rosto cor de cobre, não se sabe se de sol ou se de raça, e os cabelos brancos indicavam mais de sessenta, mas muito vigorosos sessenta. Apertou minha mão com força de vinte, olhando nos meus olhos e sorrindo com dentes que decerto tinham visto um tubo de Corega há poucos minutos.
Guiou-me pelos corredores do IML que, fora as mesinhas de alumínio, não tem nada a ver com os morgues de filme americano – há um burburinho, um entra-e-sai, uma displicência, que fazem você esquecer que aquelas portas cinzas escondem cadáveres e mais cadáveres, a maioria deles de mortes violentas. Todo aquele movimento deve facilitar a venda das hipófises, maldei para mim mesmo.
O Guaracy, sem parar de andar, abriu com o ombro uma porta de vai-e-vem e entramos numa sala esbranquiçada por lâmpadas fluorescentes, com pelo menos dez daquelas mesas de alumínio, todas com moradores abertos. Não sei o que eu esperava encontrar ali, mas o choque foi tão grande que eu voltei pela porta de vai-e-vem, segurando o queixo e a boca.
- Não posso trazer para o corredor, seu juiz. O senhor vai ter que entrar, para ver a moça.
Fiz que sim com a cabeça e espalmei a mão no ar, para ele esperar um pouco. Ele olhou para os lados, enfiou a mão no bolso. Tomei coragem e ar:
- Vamos.
E fomos. Segui-o de olhos baixos, mirando seus calcanhares. Quando parou, parei. Vi primeiro as roupas, empilhadas no pé da mesa – vestido preto, confere; meias de náilon com costura, confere; sapatos baixos, confere. Mas o corpo não era o dela. Ou era. Ou não era. Era. O rosto estava mole, amarelado, com hematomas feios. E não consegui olhar o corpo, que, de qualquer modo, eu não reconheceria. Mas era ela.
Senti que o Guaracy me olhava. Dei as costas e caí fora. Sem ele à minha frente, tive que seguir de pescoço em pé e a roxidão dos corpos se misturou ao cheiro horrível do local (não era só formol), fazendo um bolo na minha garganta. Mas não vomitei. O Guaracy, já perto de mim de novo, perguntava se eu estava bem e sorria com a sua dentadura seca.
Não havia um maldito bar por perto. O dia tinha esfriado. Acendi um cigarro e ofereci o maço ao Guaracy, que pegou dois cigarros, agradeceu, deu tapinhas no meu ombro, e foi embora, enquanto eu girava a chave na porta do velho Citroën.
As primeiras gotas da garoa matinal já ajuntavam poeira no pára-brisa. E eu achei natural que o CD-player escolhesse aquela faixa. Funny how love becomes a cold rainy day. Funny - that rainy day is here.
Com uma vizinhança cada vez mais ilustre - FDR já está no ar e, esfreguem as mãos, há mais no porvir - preciso deixar este bloguinho mais apresentável. Começo com o fundo musical.
Vocês não sabem, mas nós, Apostos, ficamos trocando conspiratórios e-mails, em que tramamos a tomada do poder, para podermos impor nossa reta moral ao resto de vocês, não-Apostos, de moral tortinha.
Eu não compreendo bem o que se diz nos e-mails, muito embora eu finja que, ahn-hã, é issaí, and all that.
Pelo que entendi, hoje, faríamos um esforço para chamar a atenção para a nossa página principal.
Os melhores elogios são os imerecidos. Os que merecemos, só nos fazem enrubescer um bocadinho, porque, ah, no fundo eu já sabia.
Mas ganhei um inesperado, outro dia, de alguém que me disse assim:
- Ó, para mim escritor bom faz diálogo bem.
- Sei.
- Li um conto seu na internet e achei os diálogos muito bons. Assim, verossímeis, sabe? Não parecem falsos e tal. É difícil alguém que escreve bons diálogos, reais.
Como não consigo pensar bobaginhas, nestes dias bicudos, dou lá minha seriíssima opinião sobre assuntos candentes (candentes!), muito embora ninguém a tenha pedido. Porque, afinal, esta é a principal função dos blogs: dar opiniões que ninguém pediu, justamente para que ninguém as leia.
1. Caso Isabella.
Se quem a matou foi o pai e a madrasta (ora, cá estou eu com o sistema “Escola Base” de ser bundão. Claro que foram eles. Quem mais?), não vejo nenhuma razão para prendê-los. Ao contrário: puni-los pode dar a impressão de que poderiam pagar pelo que fizeram, o que não é verdade. Eu os deixaria dostoevskianamente a sós, com as dores do seu livre arbítrio.
2. “Caso Veja”, Janaína L. (olá, vizinha), Reinaldo A., Diogo M..
Não é preciso nem examinar o mérito. Basta ver quem escreve melhor. É o meu bordão: “Faz dois séculos - disse Settembrini - vivia no país dos senhores um velho poeta, um excelente conservador, que atribuía suma importância à beleza da caligrafia, porque, segundo a sua opinião, esta conduzia à beleza do estilo. Deveria ter ido um pouco mais longe e dizer que um belo estilo conduz a belas ações. Pois escrever bem já era quase pensar bem, e daí a agir bem não havia muita distância ” (Thomas Mann, A Montanha Mágica). Alguma dúvida?
3. Alta no preço dos alimentos.
Vou me preocupar quando começar a atingir os pacotinhos azuis da Barilla, a abobrinha, o azeite extra-virgem (prima spremutta) e o Grana Padano. Ou talvez nem aí.
4. Estátua do Brecheret.
Mesmo que o Orestes Q. o apóie, mesmo que a Alda M. (aquela moça íntegra, que denunciou o Antonio Ermírio de M. por trabalho escravo, quando ele era candidato ao Govelno) seja a sua vice, mesmo que se confirme que ele comprou um kit-Ricky (camisa do São Paulo, duas munhequeiras e uma pinça para sobrancelhas), mesmo assim voto no Kassab (Kasseb?) se ele prometer que cerca o Monumento às Bandeiras e não deixa mais neguinho subir nele como se fosse parte do Hopi Hari. Aliás, até se a Marta Relais&Châteaux prometer isso, voto nela.
5. O Padre Voador.
Um cara que não compreendeu o negócio do livre arbítrio, nem como funcionam os GPS. Segura na mão de Deus e vai, nego.
6. Hilária e Báraco.
São o protótipo – curiosamente mais bem acabado – do PSDB: adoram discutir idéias, mesmo que a cada dia mostrem que não as têm lá muito firmes na cachola, ou que no fundo elas não importam tanto assim. Enquanto isso, McCain, preservadinho, se prepara. Vai ser um massacre.
7. Petitions on line.
Peço encarecidamente (encarecidamente! Acho que nunca tinha escrito essa palavra) que as pessoas de bom-senso parem de usar as ridícras petitions on line, salvo para causas da relevância desta (né, Ruy?).