fevereiro, 2008 Archives
fev
Mais cinema adulto.
by mauro in Uncategorized
Alvin & The Chimpmunks é uma bobaginha derivada daquelas musiquinhas de Natal cantadas por esquilinhos fanhos, criados por um armênio, que, como o André Agassian, o Charles Aznavourian e a Cher (Sarkisian, salvo engano), escondia a sua armenianidade – mas como encurtar Badgasarian não adiantava, ele mudou o nome para David Seville. (Aliás, com aqueles tubérculos faciais, como acham que podem esconder a nacionalidade? É o mesmo que um italiano sem calças querer passar por japonês: não dá, não dá.)
Mas, enfim. O filme é legal (ora, o que queriam que eu dissesse?): valoriza a famiglia, a honestidade etc., tem mocinho atrapalhado, namorada bunitinha, vilão bem delimitado e piada de cocô. Vai bem até o momento em que aquelas vozinhas atingem determinado ponto do cerebelo e você, sem querer, acaba enfiando a cabeça no balde de pipocas. Fora um pouco de gordura no couro cabeludo, sai-se do cinema alegrinho, gingando os ombros (o que ajuda a livrá-los do piruá) e fazendo boquinha para cantar “you had a bad day, you’re taking one down”.
fev
Fatos do Surfe.
by mauro in Uncategorized
E o fato é que a Mme. Diacrônico, tendo visto naquela revista que todo mundo detesta (mas eu acho batuta), uma propaganda de cerveja com uns coroas fortinhos posando na frente de pranchas de surfe, decidiu me dar uma. Prancha.
E o fato é que, como eu não gosto de cerveja, não fiquei posando na praia, e me meti no marzão, vencendo quase com destemor (e quase sem sunga, porque a rebentação estava braba e eu tinha que segurar a prancha, para não abrir com a quilha – a assaz perigosa triquilha! – os pequenos craniozinhos dos petizes que enchiam os respectivos calções de areia na beira da praia), as monstruosas ondas de nosso pouco privado refúgio marítimo.
E o fato é que, passada a rebentação, aboletei-me de bruços no pranchão, descobrindo, quase imediatamente, que surfistas não usam bermudões à toa: é para a parafina não transformar as suas coxas em um dolorido e pouco higiênico amontoado de pelos.
E o fato é que, depois de heróicas braçadas, quase cego dos dois olhos (no que superei até Camões, vejam vocês) pelo protetor solar que me escorreu da pouco pilífera fronte, sentei-me no pranchão, mirando com o resto de visão o oceano infinito e, pela primeira vez, filosofei em semi-solilóquo (porque o mar tava mó craudeado, se é que me entedem), qual Jack Johnson: “sóóóó!”
E o fato é que montei em trezentas ondas, ficando de pé num par delas, para meu prazer fugaz e infinito (e aqui não vai nenhuma ironia, é muito bom mermo, desculpem, mesmo).
E o fato é que voltei à praia, onde me destaquei do pranchão, percebendo, pelos mamilos que se apegaram ferrenhamente à parafina, a razão pela qual os surfistas usam camisas de lycra, quando vão ao mar.
E o fato é que acho que está na hora de eu aprender a beber cerveja. E de fazer uma mastectomia reconstrutiva.
fev
Force de Loi
by mauro in Uncategorized
Finalmente colocaram Derridá (assim, com acento e tudo) no lugar que merece. Numa ridícula ação, em que se discute a ridícula questão dos ridículos vidros de cobrir sacada, em que eu ridiculamente me meti a pedido de um sub-síndico influente, o cidadão, para sustentar que ele pode, sim, botar vidrinhos na sua sacadinha, me vem com citação d’ “O Fundamento Místico da Autoridade”.
Começa, enfim, a única desconstrução que eu aguardava com alguma ansiedade.
