abril, 2008 Archives
abr
Teach Me Tonight
by mauro in Uncategorized
The Queen of the Jukebox
Com uma vizinhança cada vez mais ilustre – FDR já está no ar e, esfreguem as mãos, há mais no porvir – preciso deixar este bloguinho mais apresentável. Começo com o fundo musical.
abr
Apostos!
by mauro in Uncategorized
Vocês não sabem, mas nós, Apostos, ficamos trocando conspiratórios e-mails, em que tramamos a tomada do poder, para podermos impor nossa reta moral ao resto de vocês, não-Apostos, de moral tortinha.
Eu não compreendo bem o que se diz nos e-mails, muito embora eu finja que, ahn-hã, é issaí, and all that.
Pelo que entendi, hoje, faríamos um esforço para chamar a atenção para a nossa página principal.
Então, muito embora isso aqui pareça o Análise de Peruíbe dando uma canja para a Folha de S. Paulo, tomem lá: APOSTOS!
(E eu quase não consigo esconder que, em breve, nos Apostos, mmmhsppshfssph… Rá!)
abr
Metadiálogo.
by mauro in Uncategorized

Os melhores elogios são os imerecidos. Os que merecemos, só nos fazem enrubescer um bocadinho, porque, ah, no fundo eu já sabia.
Mas ganhei um inesperado, outro dia, de alguém que me disse assim:
- Ó, para mim escritor bom faz diálogo bem.
- Sei.
- Li um conto seu na internet e achei os diálogos muito bons. Assim, verossímeis, sabe? Não parecem falsos e tal. É difícil alguém que escreve bons diálogos, reais.
- Puxa, achas mesmo? Escrevi, desmerecendo tudo.
abr
Opinata.
by mauro in Uncategorized
Como não consigo pensar bobaginhas, nestes dias bicudos, dou lá minha seriíssima opinião sobre assuntos candentes (candentes!), muito embora ninguém a tenha pedido. Porque, afinal, esta é a principal função dos blogs: dar opiniões que ninguém pediu, justamente para que ninguém as leia.
1. Caso Isabella.Se quem a matou foi o pai e a madrasta (ora, cá estou eu com o sistema “Escola Base” de ser bundão. Claro que foram eles. Quem mais?), não vejo nenhuma razão para prendê-los. Ao contrário: puni-los pode dar a impressão de que poderiam pagar pelo que fizeram, o que não é verdade. Eu os deixaria dostoevskianamente a sós, com as dores do seu livre arbítrio.
2. “Caso Veja”, Janaína L. (olá, vizinha), Reinaldo A., Diogo M..Não é preciso nem examinar o mérito. Basta ver quem escreve melhor. É o meu bordão: “Faz dois séculos – disse Settembrini – vivia no país dos senhores um velho poeta, um excelente conservador, que atribuía suma importância à beleza da caligrafia, porque, segundo a sua opinião, esta conduzia à beleza do estilo. Deveria ter ido um pouco mais longe e dizer que um belo estilo conduz a belas ações. Pois escrever bem já era quase pensar bem, e daí a agir bem não havia muita distância ” (Thomas Mann, A Montanha Mágica). Alguma dúvida?
3. Alta no preço dos alimentos.Vou me preocupar quando começar a atingir os pacotinhos azuis da Barilla, a abobrinha, o azeite extra-virgem (prima spremutta) e o Grana Padano. Ou talvez nem aí.
4. Estátua do Brecheret.Mesmo que o Orestes Q. o apóie, mesmo que a Alda M. (aquela moça íntegra, que denunciou o Antonio Ermírio de M. por trabalho escravo, quando ele era candidato ao Govelno) seja a sua vice, mesmo que se confirme que ele comprou um kit-Ricky (camisa do São Paulo, duas munhequeiras e uma pinça para sobrancelhas), mesmo assim voto no Kassab (Kasseb?) se ele prometer que cerca o Monumento às Bandeiras e não deixa mais neguinho subir nele como se fosse parte do Hopi Hari. Aliás, até se a Marta Relais&Châteaux prometer isso, voto nela.
5. O Padre Voador.Um cara que não compreendeu o negócio do livre arbítrio, nem como funcionam os GPS. Segura na mão de Deus e vai, nego.
6. Hilária e Báraco.São o protótipo – curiosamente mais bem acabado – do PSDB: adoram discutir idéias, mesmo que a cada dia mostrem que não as têm lá muito firmes na cachola, ou que no fundo elas não importam tanto assim. Enquanto isso, McCain, preservadinho, se prepara. Vai ser um massacre.
7. Petitions on line.Peço encarecidamente (encarecidamente! Acho que nunca tinha escrito essa palavra) que as pessoas de bom-senso parem de usar as ridícras petitions on line, salvo para causas da relevância desta (né, Ruy?).
abr
Sonho.
by mauro in Uncategorized
![balao[1].jpg](/wp-content/files/2008/4/balao%5B1%5D.jpg)
Peguei no sono no meio do Jornal da Noite, e sonhei que um padre dava um balão de gás a uma menininha. Os dois subiam e subiam, rindo dessas nossas bobagens todas.
abr
A Microsoft e a Vida Após a Morte.
by mauro in Uncategorized

Pois então vou falar sério, um pouquinho. Vem cá, senta aí. Respira. Pronto. Tenho uma metáfora entre a Microsoft e a moral que é imperdível. Prestenção.
Eu sempre (entendendo-se “sempre” como o advérbio de um tempo maior do que os meus 42 anos conseguem lembrar com exatidão) acreditei que nunca vamos descobrir o mistério da vida por falta de equipamentos: por maiores que sejam as nossas cabeçorras, e ainda que alguns de nós ainda acreditem que só usamos 10% da massa cinzenta (e muito embora em alguns casos isso seja verdade), estamos condenados a só entender as coisas por tabela.
É a linguagem, stupid: só conseguimos pensar através das palavras ou, com algum esforço e pouca nitidez, através das imagens. Logo, estamos limitados àquilo que conhecemos. Como conhecer, só com o que conhecemos, aquilo que não conhecemos? Não dá, né? O mito da caverna, por exemplo, é uma metáfora que meta-ilustra isso, capice?
O Nabokov diz isso – e qualquer outra coisa, aliãs – bem melhor: “I am a slave of images. We speak of one thing being like some other thing when what we are really craving to do is to describe something that is like nothing on earth“.
Um dos três contos da Trilogia de Nova York, do aborrecido Paul Auster, tem uma idéia readaptada: deixaram um cara, logo que nasceu, trancado no quarto, sem nenhum contato com a linguagem humana, para ver o que dava, se o cara aprendia, ou lembrava, da língua divina. Claro que o livro não traz nenhuma resposta que preste.
Mas livros melhores trazem respostas melhores – há uma batutinha no Brothers Karamazov, do Sikanevassy Dostoevsky. Perguntam ao velho padre como provar que há vida eterna. Ele diz que não há como provar, mas há como se convencer disso. Como? perguntam. A resposta (está em inglês porque a tradução em Língua Pátria, salve, salve, que eu tenho, da Nova Aguilar, é muito ruinzinha; a em inglês está mais legal):
“By acts of love. Try to love your neighbors, love them actively and unceasingly, and as you learn to love them more and more, you will be more and more convinced of the existence of God and of the immortality of your soul. And if you achieve complete self abnegation in your love for your fellow man, you will certainly gain faith and there will be no room in your soul for any doubt whatsoever. This has been tested. This is the true way.”
Quando li isso, anotei à margem (do rio de pedra, sentei e chorei): “but then again woudn’t it be love in trade for something? Wouldn’t it be egotism?”
Claro que o pecado original é o egoísmo (vejam estes pecaminosos blogues, meu D-us!), e que só conseguiremos uma resposta para aquelas perguntas, de fato, com completo altruísmo, que é, até onde eu me conheço, bissolutamente impossível.
Quer dizer, se você consegue ser totalmente abnegado para saber “a” resposta, naturalmente você deixou de ser altruísta, né, coió?
Eu acabei me empolgando e falando de outra coisa, que não a metáfora da Microsoft e a moral. Mas é que eu ia dizer que era uma metáfora bonitinha, que ajuda a entender as coisas etc., mesmo a gente sabendo que as metáforas são os grilhões do castigo divino e (aaaaaaaaargh! que palavreado horrível!), são os limites do entendimento humano (melholhou, mas ainda está meio besta), enfim, não adianta muito ficar fazendo metáfora para explicar.
Juro que no próximo post, muito embora não vá esclarecer o mistério da vida, vou fazer a metaforinha da Microsoft com a moral. Isso, claro, se eu lembrar qual era.

