Histórias do Tarô.
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Costa Amalfitana.

A Costa Amalfatina é o mais bagunçado lugar chique em que eu já estive. De lá – de Positano, especialmente – têm-se acesso à ilha de Capri, onde o jet set (ainda se diz jet set?) italiano (e europeu, et c.) passa as suas férias.

Mas é uma bagunça. A Costiera serpenteia as cidades em duas pistas que valem por uma, quando muito. Nas curvas, há espelhos convexos, para tentar evitar ataques cardíacos: os ônibus, aconteça o que acontecer, não param e os seus motoristas buzinam, para avisar que te esmagarão contra a parede de pedra ou te arremessarão do penhasco, conforme o lado em que você for pego. Pelo menos você os vê chegando, pelo espelho, e morde o lábio, murmurando uma curta prece a San Gennaro – é a única coisa que se pode fazer.

A vista recompensa. No videozinho não consegui captá-la com o esplendor todo. Mas percebam a maestria do motorista: além de manter o carro na estrada e filmar a paisagem, ainda há, no som de fundo, a prova de que duas crianças pulavam no banco de trás, torturando seus avós.




No hotel, para chegar ao quarto, tínhamos que tomar um elevador, descer um lance de escadas, caminhar por um corredor, tomar mais um elevador, caminhar por outro corredor e tomar o último elevador. Tudo para baixo. Ainda assim, para chegar à praia – que não tinha areia, mas seixos – precisávamos tomar mais um elevador e descer duzentos degraus (eu contei; o quinto elevador estava em manutenção).

De lá, fomos a Pompéia e, por módicos 35 euros (no final, ele pediu mais 5), contratamos um velho guia, que flanava ligeiro sobre as pedras, explicando, num italiano pausado (o que é quase um paradoxo), os highlights da ex-cidade.

Coisa que não sabia: os mortos de Pompéia não ficaram “empedrados” na lava – morreram por causa dos gases, que chegam primeiro. Seus corpos, com o tempo, se decompuseram dentro das pedras. Por isso, o que os italianos fizeram, foi injetar gesso, nesses “moldes” vazios (o guia falava calcos), recuperando a forma da pessoa morta. Por isso, o que se vê, por exemplo, no “Jardim dos Fugitivos” não são corpos empedrados, mas estátuas de gesso que têm, por dentro, os ossos genuínos dos teimosos pompeienses – sim, teimosos, porque todos sabiam que o Vesúvio andava esquisito, e só os mais capatosta ficaram.

Na volta, para o hotel, tomei um caminho alternativo, e achei uma estradinha ainda mais tortuosa que a Costiera. E era noite. Estou vivo por acaso – ou por obra de San Gennaro - mas tive que tomar dois pontos no lábio.