Histórias do Tarô.
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Meme, obá!

Confesso: eu sou o tipo de blogueiro que se envaidece recebendo meme. Todo pimpão, então, foi como recebi este do Rodrigo: dizer uns três autores que largamos no meio do caminho, por alguma razão.

Se ele me perguntasse que livros parei no meio, seria mais difícil responder –não sei se por superstição (ou por ter lido um gibi da Brotoeja em que as notas musicais ficavam chorando, quando ela desligava o rádio no meio da música), não consigo parar um livro – ou uma música – no meio: por pior que sejam, vou até o fim (o que é uma grave desvantagem, sobretudo quando ligo o rádio sintonizado por último pela d'Ajuda, e tenho que ouvir Daniel até o fim. Mas, é a vida - ao menos ponho o volume no mínimo, que minha superstição permite).

Já com autores, não é o mesmo. Deixo-os chorarem o quanto quiserem, se não vou com a faccia. Que se danem.

Um que cheguei até a comprar, curioso, e quase joguei numa das lixeiras do metrô, foi o Henry Miller. Mas ainda tenho o Sexus – fiquei com receio de ofender algum catador de latinhas. E não consigo ler. Talvez um trecho explique: “Sou insaciável. Devoro pêlos, cera suja, coágulos sanguíneos ressecados, toda e qualquer coisa que venha de você. (...) Você me diz que tem uma irmã mais bonita do que você – quero lamber os restos de carne nos ossos dela”. São coisas para se ler com a voz do Paulo César Pereio e isso, desculpem, não consigo, não consigo.

O Saramago, então, devia ser hors concours para este meme. Bastam duas páginas, de pé, na livraria, para me fazer divagar sobre o poder aquisitivo das rúpias, ou tentar lembrar a classificação do Campeonato Brasileiro – o que, sendo palmeirense, é sempre uma má lembrança. Tenho, porque ganhei com dedicatória, o Ensaio Sobre a Cegueira. Só de guglá-lo, já se vê porque é um dos campeões do “não li e não gostei”: o primeiro registro diz que vai virar filme do Fernando Meirelles; o segundo, assim resume a obra: “Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago, é um livro que nos faz enxergar e, muito mais do que isso, nos faz temer a própria humanidade frente a uma situação de caos. ” Um livro sobre cegueira que nos faz enxergar. Waal, que jogo de palavras, que profundidade. Mas não gosto de livros que me façam temer a própria humanidade – há muito disso no bairro onde eu moro e eu ficaria angustiado de ir até a padaria.

Esses dois, sinto um certo orgulho em não querer ler. Mas há um que não li – ainda – e me penitencio. É Sir Walter Scott. Já tentei duas vezes começar o Ivanhoe (prefira /áivan-rôl/, ao tupi-guarani /ivã-nho-é/, pelo menos em pensamento), mas não consigo engrenar, sabe como é? O início é descritivo, fala das matas inglesas e da história, e dos normandos, e do William The Conqueror (acho que é isso, estou com preguiça de procurar o livro, agora) e, pimba, lá estou eu, de novo, às voltas com a tabela do Brasileirão. Uma vergonha. Mas prometo redenção, em breve.

Vai o meme, agora, para o Márcio Guilherme, o Luciano e a Claudia – ninguém mandou ficar dando sopa aí na lateral da página.