" /> Diacrônico: janeiro 2007 Archives

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janeiro 24, 2007
Second Confession.

Vinha eu para o escritório, preguiçosamente acomodado num táxi Zafira, com o Second Confession (Rex Stout) na mão esquerda. Com a direita, peguei a carteira, para pagar ao motorista, quando um completo imbecil, num carro verde, na frente do posto policial da Prefeitura, meio que atropelou uma senhora. Ela levantou em seguida, não foi nada, e o imbecil, completando a sua asneira, foi-se embora, rapidinho, sem nem olhar para trás. Um policial saiu de arma em punho, e a Guarda Civil acelerou a viatura parada ali perto, quase atropelando mais uns pedestres.

O resultado foi que esqueci o livro no táxi. E faltavam só dois míseros capítulos - justo aqueles em que saberia, enfim, quem matou o advogado comunista, metido com o crime organizado.

Rezo para que o taxista, consciente, deposite o livrinho ainda hoje na portaria do prédio. E para que a polícia tenha pego aquela anta.

==Update, com SPOILER ALERT: NÃO LEIA SE NÃO QUISER SABER O FIM DE "SECOND CONFESSIONS" ==

Achei o livro - no final estava na pasta. Devo ter guardado sem perceber, enquanto desviava do carro da Guarda Civil.

E quem matou o advogado comunista (que no final talvez não fosse comunista, mas apenas do crime organizado, e chantageava o assassino), foi... (clique aqui para saber).

Rá, eu sabia!

janeiro 20, 2007
Fer-de-Lance

"If I ever kill anybody, I´m pretty sure it will be a woman. I´ve seen a lot of stubborn men, a lot of men who knew something I wanted to know and didn´t intend to tell me, and in quite a few cases I couldn´t make him tell no matter what I tried; but in spite of how stubborn they are they always stayed human. They always gave me a feeling that if only I hit on the right lever I could pry it out of them. But I´ve seen women that not only wouldn´t turn loose; you knew damn well they wouldn´t. They can get a look on their faces that would drive you crazy, and I think some of them do it on purpose. The look on a man´s face says that he´ll die before he´ll tell you, and you think you may bust that up; a woman´s look says that she would just about as soon tell you as not, only she isn´t going to."

janeiro 02, 2007
Né, Kassab?

Comecei o ano como testemunha auditiva (auricular?) de uma bonita manifestação dos donos-de-caminhão-de-som, que reverberou pelo Anhangabaú vazio, toda a tarde. Os caras reclamam de um projeto de lei do vereador Arselino (seria Arselynn, na Inglaterra?), que proíbe caminhões-de-som e locutores-de-loja pela cidade.

Acho bom o projeto, claro – anunciar pamonha fresquinha, vender morango de Atibaia, pagar trio elétrico para fazer propaganda e botar um palhaço na rua da Quitanda para mexer com as gutchinhas não são, exatamente, serviços de utilidade pública, que justifiquem perturbar o sossego do cidadão-contribuinte.

Mas o cidadão-contribuinte aqui ficou a tarde inteira ouvindo os caras chamarem o Kasseb (Kassab?). Começaram chamando o “excelentíssimo senhor prefeito”, “o senhor prefeito” e foram ladeira abaixo. Chegaram até “Ô Kassab, desce aí Kassab!” E nada do Kasseb, Kassab.

Aí, passaram o microfone para um dono-de-caminhão-de-som mais exaltado (e que não deve ter empunhado um microfone antes, senão nos caraoquês dos botecos), que ameaçou: "Ó, eu vou perder o ganha-pão, e vai aumentar a criminalidade! É mais assaltante na rua!"

Com isso, acho que os homens do Kasseb, Kassab, se chatearam, porque o cara berrou, mais revoltado, no microfone: “Ah é? Estão metendo multa, é? Por que, hein? É do CET, é? Cês ganham um salário de m* (o asterisco é meu. Ele falou “m*”, mesmo) e o Kassab lá na praia curtindo uma! Vão se danar! Pode multar! Pode multar! Seus filha-da-p* (ele disse filha-da-p*, mesmo; asterisco da redação).

Eu não vi a cena, apenas ouvi, mas acho que um outro dono de caminhão-de-som pegou outro microfone, e pediu para o companheiro maneirar, que-que-é-isso, palavrão não pode, não. E ficaram num diálogo, com os dois microfones ribombando pelo Vale, um pedindo desculpa para o outro, e “estamos aqui para reivindicar, não para xingar” e “é, eu me irritei”, "tudo bem", "é a democracia", "pois é".

Aí falaram mal do Arselynno, “que é do teu partido, né, Kassab”. (Alguém avisou que era do PT). “Ah, é do PT, é? Do PSB, do PT, tudo igual! Tudo sem-vergonha!”. (Sic). “Você, Kassab, subiu no caminhão-de-som na campanha, né, Kassab? Agora quer proibir, né, Kassab?” (Devem ter avisado que o Kassab era vice, não fez campanha). “Então quem subiu foi teu chefe, né, Kassab. Mas ele ce não proíbe, né, Kassab?”

E o cara foi se irritando, e "né, Kassab?" isso, "né, Kassab?" aquilo. E deve ter enchido mais alguém, porque o cara começou a se esgoelar mesmo: “Agora tá multando por quê? Pode multar! Tá multando por quê? Que lei do silêncio, mané?! Que Pissiu o quê, mané! Vem aqui que eu...”

Devem ter desligado o som do carro dele no meio da frase. Ou então ele jogou o microfone em alguém. O do outro microfone não tocou no assunto, mas mandou o Prefeito anotar: na sexta-feira eles voltam, ah, voltam. E vão parar São Paulo!

Ainda bem que eu vou viajar. Né, Kassab?