Ouvi no rádio, hoje de manhã, enquanto me ensaboava no chuveiro, que vão tentar cassar (caçar, quem sabe) o vil Clodô porque ele passou dos limites, dizendo que uma ilustre senhoura que freqüenta o Congresso não serviria para a mais antiga das profissões, porque é feia de-mais.
Não é fato, claro, que valha um post neste inconstante bloguinho, que nunca se dedicou à política, menos ainda à defesa de deputados-estilistas de opção sexual esquerda.
O que justifica este post é que um outro deputado, do mesmo partido da acusa-da-de-feiosa, justificou a medida, dizendo que o Depu Clodô, melhor que ninguém, deveria saber o que é sofrer com o preconceito.
Em um minuto de ensaboada reflexão, antes mesmo de enxaguar o meu bonito corpanzil, passei por diversos estágios de percepção, até chegar à plenitude de uma conclusão racional. Retraço meus pensamentos, na ordem em que brotaram do xampu:
- Ué?
- Carái!
- Não pode mais falar que é feia, não?
- Pode chamar de puta?
- E se ele falasse que a Depu é bonita o sufissente* pra ser puta?
- E se elegermos uma Deputada puta? Teve a Cicciolina! Podemos achar que ela é feia? Eu acho a Cicciolina feia. Mas não era puta, era só atriz pornô. Será que pode dizer que atriz pornô é puta? Ué, dá por dinheiro, não dá? Então é puta. A menos que ame o ator pornô. Que que eu tava pensando meismo?
- Ah, da Depu feia. Ela é feia para dedéu, mas eu vi ela chorando, tadinha. Congresso é coisa para macho. Então o que o Clodô está fazendo lá?
- Hm. Então isso é democracia representativa!
- Quando será que conseguiremos eleger um deputado que goste de Literatura Inglesa?
- Será que eu já passei xampu, meismo? Passei. (Confesso, porém, que tive que chapinhar os cabelos com a mão, para ter certeza).
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*Meus pensamentos não conhecem muito a ortografia, têm até um sotaque da Mooca.




