Histórias do Tarô.
Idle Thoghts of a Busy Fellow.
Less gas from the ass.
Órfãos de filhos.
Ah, the pain. Ha, the pain!
On Socialism
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O Mundo Está Perdido.

lostworld.jpg

Confesso que venho tentando comprar um Wii, dizendo que é para os meus filhos etc.. Mas eles nem gostam muito de vídeo-game e o troço custa uma grana preta, além de te forçar a comprar cartuchos (ainda se diz cartuchos, ou essa palavra morreu com o último Atari?), e eu vou adiando o projeto.

Mas uma coisa que faço descaradamente é comprar livros para eles lerem quando forem maiorzinhos. Quero que possam dizer, como futuros borginhos, que se criaram “lendo os livros da biblioteca do meu pai” .

Quando fuçarem, vão encontrar esse aí de cima, “The Lost World”, do Arthur Conan D., que eu comprei por impulso, pela capa bacana, pelo formato pocket, pelo cheiro bom que tem. E porque é do Sir A. claro.

É um livro muito bacaninha.

Trata da vida e obra de um predecessor do Olavo de C., cientista ridicularizado pelos seus pares, porque insistia em afirmar que havia uma espécie de platô, entre o Brasil e a Venezuela, onde viviam seres pré-históricos. E saía xingando e batendo em quem quer que discordasse.

O Olavo (que no livro se chama, mui naturalmente, Challenger) desafia o seu nêmesis (uma espécie bem-acabada de Emir S., como se pudesse haver um Emir S. bem-acabado e britânico), a ir lá ver, então, o Foro de S. Paulo, quer dizer, a reunião dos seres da era mesozóica que habitam as veias abertas da América L.. E o Emir, como jamais aconteceria na vida-coisa-em-si, aceita, rindo debochado da cara do Olavo, e depois tem que pedir desculpa, humildemente, coisa que também não acho que aconteceria na vida-como-ela-é se um exemplar saído do Foro roubasse o churrasco do Emir S. (como faz um pterodáctilo no livro).

Evidentemente, os heróis - além do Olavo e do Emir, vão um membro da imprensa golpista e um filho da elite branca paulista - acham os seres. Acham não só iguanodantes e outros mimos jurássicos, mas também uma tribo de indinhos bacanas, que vive com medo da tribo dos homens-macacos. Não vou contar o que acontece porque tem gente aí que reclama de quem estraga o final dos livros e tal (muito embora eu perceba que você não vai ler mesmo esse aqui, mas devia, porque é bacana, especialmente se em algum lugar dessa sua ampla cabeça você ainda tem treze anos, como eu tenho. Aliás, tenho na cabeçorra todas as idades até quarenta e um, sendo esta, sim a diferença fundamental entre homens e mulheres: elas só tem a idade que têm agora – na verdade, cinco anos a mais quando são meninas, cinco anos a menos quando já são molheres – mas uma idade só, e nós temos todas essas idades, que não vão, não passam, vão se acumulando. Morram de inveja. Mas, voltando, o que dizia? Ah, sim,) que não vou contar que eles ajudam a tribo dos indiozinhos legais a dar um p* cacete nos homens-macacos, sem nenhum cuidado antropológico. E que uma vez que chegaram no tal platô, não conseguem mais sair, porque os caras que carregavam os mantimentos e as barracas se encheram da dominação burguesa e gramscianamente derrubram a árvore-ponte.

E mais não digo, a não ser que todo o círculo científico da época e a mídia golpista acabaram reconhecendo o valor do Olavo Challenger. Como também só acontece nas melhores ficções.