Nova York é o lugar mais agradável do mundo para quem quer fazer turismo à Richard Burton (não o marido da Liz T., o outro), confundindo-se com os nativos.
Em Manhattan, ninguém é estrangeiro. Até japoneses em comitiva estão em casa, lá (aliás, agora que as hordas chinesas também invadiram o mundo do turismo, se você ainda não consegue distinguir uns dos outros pelas feições, pelos hábitos ou pela língua, uma dica fácil – quando chove, evidentemente – é verificar os guarda-chuvas : os japoneses apertam um botãozinho e abre-se, sem ruídos ou invoncenientes, uma cabaninha portátil. Esticada como a Hebe C.. Já os chineses também apertam um botãozinho no cabo, mas têm que chacoalhar o troço até que ele se abra de verdade. E, quando enfim se desenrola o pano, está lá o chinês debaixo de um paninho que parece uma imitação de ameixa em calda).
Nesta idílica passagem, eu saía lampeiro em direção ao Central Park, para dar umas voltas matinais (uma, e olhe lá, na verdade) no reservatório, quase no ritmo do Dr. Cooper. A despeito de minha lerdeza, tenho certeza que não chamei muita atenção (salvo quando tropecei num labrador, tentando ver se era mesmo a Cameron D., que tinha acabado de passar).
Depois, com as crianças perguntando tudo na língua-mãe, e eu pedantemente respodendo apenas em inglês, devo ter passado por um perfeito imbecil – que, curiosamente, é como os americanos se enxergam, hoje em dia , ou, pelo menos, como enxergam os seus compatriotas, porque ninguém parece ter votado no Bush, e eles vivem pedindo desculpas por ele.
Tudo isso, enfim, só para me gabar caipiramente, dizendo que tirei feriazinhas em Nova York, e que estou bem calminho, agora. Ou quase.




