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Fatos do Surfe.

E o fato é que a Mme. Diacrônico, tendo visto naquela revista que todo mundo detesta (mas eu acho batuta), uma propaganda de cerveja com uns coroas fortinhos posando na frente de pranchas de surfe, decidiu me dar uma. Prancha.

E o fato é que, como eu não gosto de cerveja, não fiquei posando na praia, e me meti no marzão, vencendo quase com destemor (e quase sem sunga, porque a rebentação estava braba e eu tinha que segurar a prancha, para não abrir com a quilha – a assaz perigosa triquilha! – os pequenos craniozinhos dos petizes que enchiam os respectivos calções de areia na beira da praia), as monstruosas ondas de nosso pouco privado refúgio marítimo.

E o fato é que, passada a rebentação, aboletei-me de bruços no pranchão, descobrindo, quase imediatamente, que surfistas não usam bermudões à toa: é para a parafina não transformar as suas coxas em um dolorido e pouco higiênico amontoado de pelos.

E o fato é que, depois de heróicas braçadas, quase cego dos dois olhos (no que superei até Camões, vejam vocês) pelo protetor solar que me escorreu da pouco pilífera fronte, sentei-me no pranchão, mirando com o resto de visão o oceano infinito e, pela primeira vez, filosofei em semi-solilóquo (porque o mar tava mó craudeado, se é que me entedem), qual Jack Johnson: “sóóóó!”

E o fato é que montei em trezentas ondas, ficando de pé num par delas, para meu prazer fugaz e infinito (e aqui não vai nenhuma ironia, é muito bom mermo, desculpem, mesmo).

E o fato é que voltei à praia, onde me destaquei do pranchão, percebendo, pelos mamilos que se apegaram ferrenhamente à parafina, a razão pela qual os surfistas usam camisas de lycra, quando vão ao mar.

E o fato é que acho que está na hora de eu aprender a beber cerveja. E de fazer uma mastectomia reconstrutiva.

surfe.JPG


E o fato é que dirão: "mas mastectomia é a remoção das mamas, não a reconstrução, ignorante." Ao que replicarei, sereno e profundo: "só."