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março 19, 2008
Futebór.

beaman.jpg
Be a man.

Talvez seja meio estúpido um advogado dizer isto, mas eu sempre acho que quem quer processar outra pessoa (especialmente quando se está falando da pessoa física) é meio idiota ou, pelo menos, mariquinha (claro que há casos e há casos. Mas se não generalizar, que graça tem? Ficar fazendo ressalvas é ridículo. Portanto, se você processa, ou processou alguém, ponha-se entre as exceções que eu fiz mentalmente, e tive preguiça de listar. Pronto, mariquinha, pode continuar a ler).

O caso mais evidente dessa dondoquice processual é o São Paulo Fashionweek Club, um time que vive brigando com a fama que tem, apenas para confirmá-la cada vez mais.

Seus jogadores, evidentemente teleguiados pela diretoria rotunda e barbudinha (que lembra o Leão Lobo, até), já fizeram aquela papagaiada com o jogador argentino, que não pôde voltar para casa por ter sido acusado de racismo (se não me falha a memória, por chamar de "negro" um cara cujo apelido era Grafite). Depois, processaram um diretor do Palmeiras, que bobeou e disse que achava que o Richarlysson (ele aparentemente depila as sobrancelhas e prefere ser chamado de Ricky, mas nega que seja omissequiçual) era omissequiçual. Depois, processaram o Edmundo, porque, vejam vocês, deu um chute no meio de um jogo de futebol. Agora, é mais um jogador do imbatível, campeão do século, Palestra Itália (e digo isso sem nenhuma parcialidade), vítima de seus processinhos maricas.

Não vou nem explicar porque a cotovelada não deve ser punida, porque é muito óbvio, basta ver a imagem (tá bom, eu explico: o sampaulino estava segurando e encoxando o palmeirense, que não é sampaulino e, por isso quis se livrar e, sem ver onde acertava, mandou o cotovelo).

Mas mesmo que a cotovelada tivesse sido, sei lá, dolosa, preter-dolosa, seria muito ridículo um processo derivado de jogo de futebór. Ora, convenhamos: ninguém que joga futebór – salvo, quem sabe, o Tostão – tem mais de dezesseis anos. São todos moleques – podem ter até quarenta anos, mas não passam de dezesseis, e olhe lá. A maioria tem treze ou catorze (ou quatorze).

Aí vem um mariquinha, e fala para o menino: “Ó, ele te machucou, isso não pode ficar assim, não. Vamos para a Justiça!”. E claro que o menino vai. Aí o outro time fala para outro menino: “Ó, o cara lá também te deu um joelhaço, né? Vamos processar!” E pronto, mais um processo.

E o futebór, que já não tem mais lá essa graça, de tão profissional que acha que é, vai ficando politicamente correto, com jogadores maricas, que não se xingam e não se batem, e recorrem à Justiça, quando alguém lhes cospe na cara.

Esses diretores parecem mãezinhas fofoqueiras, que assistem o jogo só para falar mal de quem bate no filinho e para reclamar na diretoria. Não vêem a vergonha que fazem os meninos passar? Eu, ao menos quando só tinha treze anos, achava a coisa mais ridícra do mundo quando a mãe dos outros ia reclamar com alguma freira, e o babaquinha ia junto, fazendo que sim com a cabeça, indignadinho por tabela. Assim estão os jogadores do SPFWC.

Por isso, e com o risco de magoar alguns dos já parcos freqüentadores destas inconstantes pagininhas (mas com a certeza de que se enquadram em alguma das exceções do primeiro parágrafo), sugiro aos processantes sampaulinos que larguem a mão de ser maricas, ou que, pelo menos, façam como os porcos alviverdes – assumam o apelido, e saiam gritando e batendo os pezinhos nas arquibancadas do Morumbi: “Olê, frescôô, olê, frescôôôôôôôô!”

março 17, 2008
Speak, Volodya

volodya.jpg

março 05, 2008
Atonement.

atonement-3.jpg
Se viesse com figurinha da Keira K., ainda valia a pena.

Não por opção consciente, mas por achar que ainda é legal dizer que não acompanho novela e não leio best-seller, eu não acompanho novela e não leio best-seller. Mentira. Já é bobo dizer que não se acompanha novela, nem se lê best-seller. O que se deve dizer é que não se assiste televisão, e não se lê livro com menos de um século. E, de fato, eu não assisto televisão – salvo os Backyardigans – e não lia livro com menos de um século há algum tempo até chegar ao Atonement.

Os Backyardigans todo mundo sabe que é uma bobagem infantil, quase inofensiva, se não fosse assim tão politicamente correta. O Atonement também.

Li – culpa a quem a tem – por causa da Ms. D., que queria que eu lesse alguma coisa que pudesse comentar com ela. Não agüentaria ler o Caçador de Pip’s, nem a Minina que Afana Liv´s, e achei que agüentaria o Atonement. Um monte de gente diz que é uma obra-prima, quase um bildungsroman, um romance herdado da Jane Austen, coisa boa mess, e tal. Mas, não é.

É um livro adulto, porque, vejam vocês, fala de séquiço. Melhor dizendo: fala de dois atos sequiçuais sobre os quais vai todo o enredo. E um deles é até inverossímil. Beeeem inverossímil – tipo um estupro em que a vítima não sabe quem é o autor, ou não quer dizer porque foi gotozinho, e por isso tudo, a solução do crime depende do testemunho de um menininha, que teria visto um vulto, à noite.

Aí é um festival de lugares-comuns: os ricos são maus, as ricas boas largam tudo e viram enfermeiras, o mocinho sofre que é uma coisa. Todos analisados froidianamente, para não deixar nadica para a inteligência do leitor – afinal, se o cara está lendo esse treco não deve ser lá muito inteligente.

Mas, há pior: com tanta história de guerra boa, que envolve a Inglaterra, o seo McE. foi pegar justo o episódio da Batalha de Dunkirk, onde os ingleses, tentando ajudar os frogs, tomaram um cacete dos lemão e tiveram que evacuar, no bom sentido. Até na escolha desse fracasso fracassa o Atonement – fica parecendo, e é mesmo, coisa politicamente correta, proselitismo dessa pacificação maníaca de hoje em dia, quando até quem leva ferro tem que ficar quieto, porque é feio atacar. Quem sabe a Inglaterra e os EUA não bateram forte demais? Vamos repensar a Segunda Guerra, pessoal? Vamos relativizar?

E o pior de tudo é o final. O cara, não sem alguma hesitação, tinha dado um final meio roliudiano, all’s well that ends well, beleza, você se cansou mas chegamos ao fim, e está tudo bem. Mas – a-há! – vem a narradora (ora, mas é uma narradora? Quem diria, quem diria – não via esse truque desde o Roger Ackroyd, quando aliás, foi mais bem feito) e sagazmente planta a dúvida: será que terminou assim mesmo ou terminou mal, e eu que inventei. “Sei lá, estou com sono”, ou something of the sort. E assim acaba o livro, com o mais idiota “final em aberto” (que coisa horrivelmente demodê, não é?) de todos os tempos.

E não reclame que eu estraguei o livro. Não fui eu: foi o seo McE..

março 04, 2008
Caramba!

Caramba!

Caramba!