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Futebór.

beaman.jpg
Be a man.

Talvez seja meio estúpido um advogado dizer isto, mas eu sempre acho que quem quer processar outra pessoa (especialmente quando se está falando da pessoa física) é meio idiota ou, pelo menos, mariquinha (claro que há casos e há casos. Mas se não generalizar, que graça tem? Ficar fazendo ressalvas é ridículo. Portanto, se você processa, ou processou alguém, ponha-se entre as exceções que eu fiz mentalmente, e tive preguiça de listar. Pronto, mariquinha, pode continuar a ler).

O caso mais evidente dessa dondoquice processual é o São Paulo Fashionweek Club, um time que vive brigando com a fama que tem, apenas para confirmá-la cada vez mais.

Seus jogadores, evidentemente teleguiados pela diretoria rotunda e barbudinha (que lembra o Leão Lobo, até), já fizeram aquela papagaiada com o jogador argentino, que não pôde voltar para casa por ter sido acusado de racismo (se não me falha a memória, por chamar de "negro" um cara cujo apelido era Grafite). Depois, processaram um diretor do Palmeiras, que bobeou e disse que achava que o Richarlysson (ele aparentemente depila as sobrancelhas e prefere ser chamado de Ricky, mas nega que seja omissequiçual) era omissequiçual. Depois, processaram o Edmundo, porque, vejam vocês, deu um chute no meio de um jogo de futebol. Agora, é mais um jogador do imbatível, campeão do século, Palestra Itália (e digo isso sem nenhuma parcialidade), vítima de seus processinhos maricas.

Não vou nem explicar porque a cotovelada não deve ser punida, porque é muito óbvio, basta ver a imagem (tá bom, eu explico: o sampaulino estava segurando e encoxando o palmeirense, que não é sampaulino e, por isso quis se livrar e, sem ver onde acertava, mandou o cotovelo).

Mas mesmo que a cotovelada tivesse sido, sei lá, dolosa, preter-dolosa, seria muito ridículo um processo derivado de jogo de futebór. Ora, convenhamos: ninguém que joga futebór – salvo, quem sabe, o Tostão – tem mais de dezesseis anos. São todos moleques – podem ter até quarenta anos, mas não passam de dezesseis, e olhe lá. A maioria tem treze ou catorze (ou quatorze).

Aí vem um mariquinha, e fala para o menino: “Ó, ele te machucou, isso não pode ficar assim, não. Vamos para a Justiça!”. E claro que o menino vai. Aí o outro time fala para outro menino: “Ó, o cara lá também te deu um joelhaço, né? Vamos processar!” E pronto, mais um processo.

E o futebór, que já não tem mais lá essa graça, de tão profissional que acha que é, vai ficando politicamente correto, com jogadores maricas, que não se xingam e não se batem, e recorrem à Justiça, quando alguém lhes cospe na cara.

Esses diretores parecem mãezinhas fofoqueiras, que assistem o jogo só para falar mal de quem bate no filinho e para reclamar na diretoria. Não vêem a vergonha que fazem os meninos passar? Eu, ao menos quando só tinha treze anos, achava a coisa mais ridícra do mundo quando a mãe dos outros ia reclamar com alguma freira, e o babaquinha ia junto, fazendo que sim com a cabeça, indignadinho por tabela. Assim estão os jogadores do SPFWC.

Por isso, e com o risco de magoar alguns dos já parcos freqüentadores destas inconstantes pagininhas (mas com a certeza de que se enquadram em alguma das exceções do primeiro parágrafo), sugiro aos processantes sampaulinos que larguem a mão de ser maricas, ou que, pelo menos, façam como os porcos alviverdes – assumam o apelido, e saiam gritando e batendo os pezinhos nas arquibancadas do Morumbi: “Olê, frescôô, olê, frescôôôôôôôô!”