10
abr

Quintas-feiras são assim.

Há quatro anos, eu saí de casa cedo e minha filha, de quatro anos, que eu levava para a escola, passou o caminho todo ganindo por um cachorro. Eu não queria um cachorro, e não queria a tal ponto que inaugurei um blog, para dizer: “eu não vou comprar cachorro nenhum”.Hoje, saí voando do escritório, encontrei a patroa e apresentamos a Mary P. às crianças.Tudo bem – era uma questão circunstancial, não de princípios. E sem cachorro, não há família. Só vale a pena ser um estereótipo, quando se o é por completo.

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24
mar
17
mar
11
mar

Pasta.

fat-kid.jpgWanna a piece of me?

Já subi neste mesmo caixote, antes, para vociferar contra a interferência do Ministério Pub’s na venda de brinquedinhos macdonaldianos.

Não funcionou, naturalmente, e os McDs, hoje são obrigados a vender as porcarias dos brinquedinhos separados do sanduíche (lanche é a mãe), para os pápis e a mômis* que não controlam os chiliquinhos de seus rebentos (rebento é a palavra certa, em muitos casos, senão na maioria deles).

Mas como nestas plagas (plagas ou chagas, hein?) o ruim é inimigo do péssimo, os endiabrados Promoters de Justiça, decerto certos de que os McDs são freqüentados, grosso modo, pela plebe ignara, que não sabe cuidar de si mesma e está sujeita a fazer um super-size-me pela vida inteira, e entupir suas veias e os consultórios dos endócrinos da Unimed pelo Brasil afora, os Promoters, então, como eu dizia, decidiram que é melhor proibir de uma vez a venda de brinquedinhos com o sanduíche e pronto, seus coió.

E vão mais longe, claro, porque o péssimo é inimigo do ridículo, e juram que vão impedir os ovos de Páscoa de virem com brinquedinho**. Já há planos, embora não tenham sido revelados, de obrigar os produtores de cenoura e brócoli*** a entregarem seus produtos acompanhados de Max-istius ou Barbs, conforme a opção sexual do petiz.

Não, sério, a atitude é bastante varonil e necessária, aqui, onde ninguém sabe direito o que enfia na boca, nem para quê. Só acho que há preconceito em se tentar proteger apenas os componentes da plebe rude – a elite branca paulista, embora malvadigna, também carece de proteção.

A questã é que os menus dos restaurant’s meio-carinhos da urbe**** incluem, às vezes, um menu infantil, que invariavelmente contém batata smiles, macarrão com molho branco ou ao sugo, e nãguétis. Mas, ora, querem assim acabar com a saúde da elitizinha branquinha paulistinha malvadigna! É ora de agir, Promoters! Peço que incluam na sua quixotesca, dantesca, francesca, momesca batalha contra a obesidade infantil e os brinquedins de araque, a probição de macarrão no nos kid’s menus. Pelo menos o com molho branco, vai. E tenho dito.

__________________________________* Acentuação conforme a Reforma Ortopédica de 2009.** Kinderovos e bengalas de jujuba, beware!*** Plural em latim, de broculae, conforme a Reforma Otomana de 12 a.C..**** Os bens carões, não.

20
fev

Carnaval.

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Muito me irrita que pensem que eu não me entregaria, em epicurista exceção, às delícias momescas. Só eu de fora? Na-na-ni-na-não. Rio & Carnaval, é só o que há. Clique na musiquinha; squindô-lê-lê and all that sort of things.

4
fev

Estréias!

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Ei, é legal isso aqui!

28
jan

A chance in a million!

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Só os melhores blogueiros(1) teriam coragem não só de se mostrar em público, mas também de pôr a nu as suas idéias sobre a nudez. Inesquecível, mesmo, é a personificação da Scarlett J., pelo Pedro 7 – que depois confessou ter comparecido a um evento lésbico (2). Não pensei que viveria para ver e ouvir isso.

E notem: mesmo para papos-de-boteco(3), Apostos escolhem livrarias. No próximo episódio, futebór na biblioteca(4).

________(1) ou os mais senvergogna, né.(2) sic, tijuro.(3) papos-de-boteco no melhor sentido da palavra, mind you.(4) ler DFW provoca excesso de notas-de-rodapé.

20
jan

Misantropia.

by mauro in Uncategorized

Não sei se é apatia, ou costume, ou indiferença – mas ver um brasileiro berrando alegremente nos corredores dos malls da Flórida, como se estivesse num churrasco-na-chácara-do-sogro, já não me faz tão mal. Também já não me chateio quando me perguntam donde venho, e digo “Brazil”, e ouço “Brazil-party-y-yeah!”.

Acho que finalmente ampliei para todos os povos essa vergonha pelo outro, que no fundo é vergonha de ver nas babuínicas atitudes dos seus semelhantes um pouco da sua própria macaquice.

Efetiva misantropia talvez seja isso – passa-se, primeiro, da vergonha de ser brasileiro, para a vergonha de ser humano.

O próximo passo nessa evolução anti-social talvez seja ruborizar quando um cachorro cheirar o fiofó do outro. O que, afinal, não será muito diferente de sentir vergonha de ser brasileiro.

30
dez

Nada Tema, Trema.

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O fato é que o cidadão por trás deste blog, acometido de patriótica preguiça mental, nega-se a acolher as mudanças implementadas por decreto, sem nenhuma razão saudável, na Língua Mãe.

Aqui, ainda, a trema encontrará ninho sobre os us, os hífens continuarão a ser o mistério de sempre, os circunflexos seguirão protegendo as vogais duplas e os ditongos paroxítonos continuarão a portar as agudas marcas de sua abertura.

Cinquenta nunca, infrassom jamais!

22
dez

Babbo, pietà, pietà.

Esperava uma oportunidade para emoldurar este clipe do Andre R. (para quem muitos torcem a elitista napa, mas eu acho mui confortavelmente familiar). Dizem que o truque está na edição; na lágrima que aquele senhor discretamente afasta, aos 5:17. Mas eu duvido.

A moça que canta chama-se Carmen Monarcha e incidentalmente é conterrânea sua, tupiniquim leitor – o que, se não lhe enche de patriótico orgulho, ao menos serve como exceção para as moças que só fazem sucesso quando ungidas em abundância.

A ariazinha é do Giacomo P. que, também incidentalmente, faria, hoje, exatos cento e cinqüenta anos.

Abaixo, a letra, para cantar no chuveiro. Enjoy.